19 de ago de 2009

Napoleão

O grande Napoleão, um dos maiores generais da história e também um dos maiores egos de todos os tempos, tinha algumas características interessantes. Baixinho, parecia o tempo todo querer dizer ao mundo que valia cada milímetro acima da Terra. Mulherengo, tinha alguns hábitos estranhíssimos – certa vez escreveu do campo de batalha para Josephine, sua paixão e depois esposa: “Chego amanhã. Não tome banho.”
Foi acusado de dezenas de coisas, desde roubar o nariz da Esfinge do Egito até saquear tesouros nacionais e artísticos de outros países, além de incendiar Moscou. Dono de um orgulho infinito, a sua maior humilhação, entretanto, não ocorreu no campo de batalha:
Acontece que Napoleão gostava de reunir a nobreza e a alta sociedade de Paris ao seu redor – adorava um puxa-saco. E dava festas estrondosas, gostava. Pois numa dessas festas, ele resolveu promover uma caçada para todos os convidados tomarem parte. E encarregou o mordomo do Palácio de comprar algumas centenas de coelhos para a ocasião, além de ter desarmado um regimento inteiro de modo que todos os convidados tivessem sua arma e a oportunidade de matar pelo menos um bichinho.
O mordomo (talvez um adepto vingativo da Revolução que Napoleão desvirtuara), ao invés de comprar coelhos selvagens – aliás, tem como comprar coelho selvagem? Tem coelho selvagem? Coelho “natural”, digamos, desses do mato mesmo – comprou coelhos criados em cativeiro. Bom, um defeito dos coelhos criados em cativeiro: eles não correm das pessoas. E na hora da festa começar, eis que um baixinho de chapéu esquisito e mão na barriga, como se estivesse carregando ração, se dirige a um descampado cheio de centenas de coelhos famintos. Napoleão descobre então que os coelhos criados em cativeiro correm para as pessoas, especialmente se acham que é hora da ração – que foi exatamente o que fizeram, centenas de coelhos correndo desesperados pra cima do baixinho esquisito, que não teve outra alternativa senão sair correndo desabalado, na frente de toda a alta sociedade e nobreza ali reunidas.
Napoleão perdeu pouquíssimas batalhas, e nunca, nunca, exceto dessa vez, foi posto pra correr... literalmente. Haja orgulho ferido.

* Antes que perguntem, o caso é verídico, sim!

Um comentário:

Inês disse...

Max

Realmente vc escreve muuuito bem