29 de mai de 2008

Chico Buarque - Futebol: Hino do Politeama

Um trecho ótimo com Chico contando sobre o Politeama, seu time de futebol de botão "promovido" a gente, com hino e tudo. Um pouco da paixão dele por futebol.
Eu já tinha colocado esse vídeo na página do Youtube, mas aos poucos vou puxando pra cá pro blog, fica mais fácil de encontrar. E ele fazendo a voz da multidão? Hilário e apaixonante.

23 de mai de 2008

Marcial

Deparei-me hoje com esse epigrama entre meus escritos: "Lasciva est nobis pagina, vita proba". Marcial, dizendo: meus escritos são lascivos, minha vida é honrada, ou: lasciva somente a obra. Comecei a rir lembrando de outro "pensador", o Zé Simão: provavelmente ele escreveu isso quando a única zona erógena que lhe restava era a memória. Taylor: o problema das pessoas sem vícios é que normalmente elas tem umas virtudes bem irritantes... Se não cheguei ao ponto do Zé Simão, já estou começando a ficar como o Marcial - espero não chegar a ter virtudes irritantes. Ou acabo como o Augusto Matraga, do Sagarana: vou pro céu nem que seja a porrete.
PS: Acabo de receber um email com umas fotos e um "É do seu tempo?" - fitas Basf, aquaplay, ciclete Ping Pong... sim, é. Mas nem me lembrava. E eu ainda sou do tempo onde se lia Marcial, Gibbon, os russos, e Balzac era literatura de entretenimento... ou eu nunca fui desse tempo? Digo, existe esse tempo ou é uma espécie de escolha? A educação francesa, britânica (a européia em geral) e americana de elite ainda ensinam essas coisas... mas cada vez menos. Aqui já tivemos algumas escolas onde havia um estudo sério ma non troppo: vejam a biografia do Chatô, ou do Golbery, do Prestes, do João Cabral, do Bandeira, etc. Alguma "ilustração" normalmente francófona, antiguidades utilitárias e no máximo algum positivismo. Bom, divagando demais, de novo. Já que comecei a falar de coisas antigas que ninguém mais lê ou sabe, que tal Puchkin?
Dos anos loucos
A alegria extinta
ressaca vaga
faz que eu mal me sinta


22 de mai de 2008

Balé com os pés - Futebol-arte

Cena do vídeo "Nós que aqui estamos por vós esperamos" do Marcelo Mazagão, uma leitura/documentário imagético do Breve Século XX. Nesse trecho, dois "magos dos pés".

18 de mai de 2008

Bares

Acabei de ver um nome de buteco ótimo: Sexta Básica! A imaginação criadora deve ter vindo numa quarta de tarde, depois da quinta dose... Eu e o Nagib queríamos criar um café na Savassi, com livros (não para venda), chamado Xique Xícara, com uma placa: "Estacionamento para corpos" e redes espalhadas no quintal (ah é, tinha que ser numa daquelas casas da BH dos anos 60) - almoçava-se e daí tirava um cochilo após um café, um dedo de prosa. Por falar no Nagib, me lembrei de um dia, quando ao encontrá-lo no meio da Augusto de Lima com uma gramática de Tupi (!) nas mãos, ter feito uma cara interrogativa - e ele, de imediato: "ué, todo mundo não vive enfatizando a necessidade de uma segunda língua?". Outro diálogo com ele:
- Nagib, vamos no Tambores de Minas?
- Eu não, muito shakespereano.
- ?!?!?
- Muito barulho por nada...

17 de mai de 2008

Mapas Urbanos - São Paulo - A III

Fim da primeira parte... Tom Zé é um dos meus loucos de água e estandarte preferidos - uma simpatia, e a visão do mundo completamente única. Assim que der coloco "no ar" as próximas partes (tem mais seis)

13 de mai de 2008

Obituários

O Albert Hofmann, pai do LSD, morreu na terça-feira (29/04/2008), aos 102 anos! Lembrei disso agora, dele contando que tomava o LSD e saía de bicicleta com seus novos "olhos de caleidoscópio". Burroughs morreu em 97 aos 83 anos: dizia "se eu soubesse que ia viver tanto, teria me cuidado melhor". Viciado em heroína até o fim, diziam. Ah, os velhos cães de guerra e seus desregramentos de todos os sentidos... Um amigo morreu esses dias aos 42 - parecia ter 60. Cardiopata, fumante e rico. Outro grande amigo me ligou pra dizer que se eu achava que parando de beber, fumar, comer porcaria, etc., viveria mais, estava redondamente enganado: segundo ele, quando a gente faz essas coisas não passa a viver mais, a vida é que passa mais devagar, a chatura e o tédio fazem a sensação de tempo se dilatar! Esse vai morrer cardiopata, fumante, alcoólatra, e o que é pior, rico também - provavelmente depois dos 100, pra fazer raiva.
Procurei essa tirinha abaixo pra lembrar que, se viver é muito perigoso, às vezes também é gostooooso...



E essa outra, em homenagem aos tantos velhos conhecidos cães de guerra:


10 de mai de 2008

34 Letras

Essa revista (34 Letras) foi uma das influências duradouras na minha formação literária... tanto contra como a favor. Amei e odiei teorias & pessoas que por ela passaram; raramente fiquei indiferente. Estou garimpando os números antigos em sebos, e numa das revistas veio essa explicação da escolha do nome 34 Letras (há outra explicação, ligada a alquimia) - um texto de Fernando Pessoa, que reproduzo abaixo:
"O meu mestre Caeiro não era um pagão: era o paganismo. O Ricardo Reis é um pagão, o António Mora é um pagão, o próprio Fernando Pessoa seria um pagão, se não fosse um novelo embrulhado para o lado de dentro. Mas o Ricardo Reis é um pagão por carácter, o António Mora é um pagão por inteligência, eu sou um pagão por revolta, isto é, por temperamento. Em Caeiro não havia explicação para o paganismo; havia consubstanciação.
Vou definir isto da maneira em que se definem as coisas indefiníveis - pela cobardia do exemplo. Uma das coisas que mais nitidamente nos sacodem na comparação de nós com os gregos é a ausência de conceito de infinito, a repugnância de infinito entre os gregos. Ora o meu mestre Caeiro tinha lá mesmo esse mesmo inconceito. Vou contar, creio que com grande exactidão, a conversa assombrosa em que mo revelou.
Referia-me ele, aliás desenvolvendo o que diz num dos poemas de «O Guardador de Rebanhos», que não sei quem lhe tinha chamado em tempos «poeta materialista». Sem achar a frase justa, porque o meu mestre Caeiro não é definível com qualquer frase justa, disse-lhe, contudo, que não era absurdo de todo a atribuição. E expliquei-lhe, mais ou menos bem, o que é o materialismo clássico. Caeiro ouviu-me com uma atenção de cara dolorosa, e depois disse-me bruscamente:
«Mas isso o que é é muito estúpido. Isso é uma coisa de padres sem religião, e portanto sem desculpa nenhuma.»
Fiquei atónito, e apontei-lhe várias semelhanças entre o materialismo e a doutrina dele, salva a poesia desta última. Caeiro protestou.
«Mas isso a que V. chama poesia é que é tudo. Nem é poesia: é ver. Essa gente materialista é cega. V. diz que eles dizem que o espaço é infinito. Onde é que eles viram isso no espaço?»
E eu, desnorteado. «Mas V. não concebe o espaço como infinito? Você não pode conceber o espaço como infinito?»
«Não concebo nada como infinito. Como é que eu posso conceber qualquer coisa como infinito?»
«Homem», disse eu, «suponha um espaço. Para além desse espaço há mais espaço, para além desse mais, e depois mais, e mais, e mais... Não acaba...»
«Por quê?», disse o meu mestre Caeiro.
Fiquei num terramoto mental. «Suponha que acaba», gritei. «O que há depois?»
«Se acaba, depois não há nada», respondeu.
Este género de argumentação, cumulativamente infantil e feminina, e portanto irresponsável, atou-me o cérebro durante uns momentos.
«Mas V. concebe isso?», deixei cair por fim.
«se concebo o quê? Uma coisa ter limites? Pudera! O que não tem limites não existe. Existir é haver outra cousa qualquer, e portanto cada coisa ser limitada. O que é que custa conceber que uma coisa é uma coisa, e não está sempre a ser uma outra coisa que está mais adiante?»
Nessa altura senti carnalmente que estava discutindo, não com outro homem, mas com outro universo. Fiz uma última tentativa, um desvio que me obriguei a sentir legítimo.
«Olhe, Caeiro... Considere os números... Onde é que acabam os números? Tomemos qualquer número - 34, por exemplo. para além dele temos 35, 36, 37, 38, e assim sem poder parar. Não há número grande que não haja um número maior...»
«Mas isso são só números», protestou o meu mestre Caeiro.
e depois acrescentou, olhando com uma formidável infância:
«O que é o 34 na Realidade?»"

2 de mai de 2008

Mapas Urbanos - São Paulo - A II



Nesse segmento, falando do Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini narra o seguinte diálogo, tendo ao fundo a famosa "não posso ficar nem mais um minuto com você..." (Trem das Onze):

- Um dia, conversando com o Adoniran, perguntei pra ele: Adoniran, porque é que você fala "moro em Jaçanã" se todo mundo que mora lá fala "moro no Jaçanã"?, e ele respondeu: "E eu sei lá onde fica essa joça?!?!".

Só essa parte valeu o vídeo inteiro...