24 de ago de 2009

Ensino religioso

O acordo entre o Vaticano e o governo brasileiro tem dado o que falar - e agora foi "contra-atacado" pela apresentação da "Lei Geral das Religiões". Como dizem todos eles, religiosos, um pecado não justifica o outro... no meio da balbúrdia toda, vai acabar passando uma lei que obriga o ensino religioso de todas as religiões em todas as escolas e equipara todas elas no âmbito das repartições públicas, com a permissividade de penduricalhos de todos os deuses do mundo.
A idéia da Lei Geral das Religiões é que, já que há privilégios para os católicos, então se adote a máxima "ou nos locupletemos todos ou restaure-se a moralidade" - equiparação total de todas as religiões. Ótimo.
A se seguir o princípio ao pé da letra, agora as crianças vão poder aprender que certa entidade indígena botou um toco de pau pra andar, com umas penas em volta da cintura e um mundo verde pra tomar conta. Ou que os deuses se reuniram em Teotihuacán para discutir a quem caberia a missão de criar o mundo, tarefa que exigia que um deles se jogasse dentro de uma fogueira. Ou que um deus entediado e libidinoso resolveu criar uma companheira e daí acidentalmente veio a espécie humana. Ou que somos fruto da união do Sol e da Lua, que desciam à terra para pequenos rendez-vous proibidos para menores... As crianças já aprendem que um ser superior soprou num boneco falante de barro (ou o boneco de barro passou a ser falante depois do sopro?), que teve um descendente que comeu uma baleia - e que quando esses descendentes morrerem vão ficar esperando um dia do julgamento onde vão chocar da terra e sair piando pela via láctea até ser decidido se vão virar churrasco ou serem soltos nas nuvens pra tocar harpa.
Acho que ensino religioso deve ser deixado para os pais e instituições interessadas – não cabe às escolas nem mesmo discutir religião, que é questão de foro íntimo. Mas colocar o ensino religioso junto com aulas de biologia, matemática e física é dar a ele um status de ciência que não tem e no mínimo fazer da sala de aula o espelho dos preconceitos culturais e sociais do “mundo lá fora”.
A César o que é de César.

Post Scriptum: Também acho que deviam parar de dizer que descendemos dos macacos. Pelo que tudo indica, o que tivemos foram ancestrais comuns, nós e os macacos. E por tudo que vemos por aí, dizer que descendemos dos macacos ofende os macacos.

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