31 de jul de 2009

A Tradição Ocidental

Fico às vezes decepcionado com o rumo que a crítica à civilização ocidental toma. Coloquei há alguns dias um questionário sobre raças, onde, de brincadeira, postei como alternativa: “branco mas com sentimento de culpa em relação a isso”. A crítica à civilização ocidental – conduzida majoritariamente por ocidentais – vai acabar fazendo algo parecido a sério...

Sou um fã incondicional da tradição ocidental. Os grandes avanços técnico-científicos foram indubitavelmente conquistas “ocidentais”, ou quando não, depois que o modo de produção ocidental foi implantado, copiado ou exportado para os demais países. A experiência ocidental é única, com sua crença na razão, seu individualismo e suas instituições políticas – fora do ocidente o conceito de democracia e república são inexistentes como idéias nativas. A experiência humana conduzida pelo ocidente nos deu uma criação e distribuição de riquezas sem precedentes na história; em nenhum outro lugar o sistema de saúde, a participação política, a liberdade e a igualdade entre as pessoas atingiu tais níveis. Entretanto, há um lado negro que todos conhecem: divisões sociais, armamentismo, guerra, dominação, opressão, etc. Acho que esquecemos que fora do ocidente, sem a influência do ocidente, só existiram impérios e ditaduras, e mesmo no tão falado e reverenciado oriente “espiritual” a longevidade média até 50 anos atrás era de 30 anos e não havia uma única experiência democrática, sendo o mais comum a divisão entre castas e classes sociais rígidas.

Essa defesa não significa que eu seja cego à grande destruição, pilhagens, morticínio, opressão, dominação, extinção de culturas inteiras, que foram cometidas nos últimos milênios. O que digo é que é a única tradição humana que permite a realização plena do ser humano em toda a sua capacidade – isso para o bem ou para o mal. Aristóteles: "Assim como o homem é o melhor dos animais quando atinge sua plenitude, torna-se o pior quando separado da lei e justiça. A injustiça armada é, efetivamente, a mais perigosa; o homem nasceu com armas que devem servir à sabedoria prática e à virtude, mas que também podem ser usadas para fins absolutamente opostos. Portanto, sem virtude o homem é o mais selvagem e inescrupuloso dos animais. "

Bom, pensando nessas questões, encontrei uma aula de introdução aos gregos clássicos que é também uma introdução à história da cultura ocidental, dada pelo prof. Donald Kagan na Yale. Traduzi e legendei a primeira aula, e coloquei no Youtube, quatro vídeos com um tempo total de 33 minutos. Assistam e vejam quão lúcida é a abordagem do Prof. Kagan (claro que eu acho lúcida, já que ele concorda comigo!)...

30 de jul de 2009

Más Definições


Novas definições para velhas palavras... a idéia veio do Calvin, que queria passar a chamar "Tiranossauro" de "Monstruosa Lagartixa Mortífera Assassina":

Político: parasita sugador sem asas. Ver também: Pulga

Sarney: subespécie de "Político", habita o Maranhão e a praga já se espalhou para o Amapá e Brasília. Facilmente reconhecível, se você olhar a sua biografia ao microscópio verá um horrendo bigode, que é a marca registrada do inseto.

Brasília: a pior idéia para um sistema de esgoto, pois ao reunir todas as cagadas do país num lugar só acabou entupindo tudo.

Pão e Circo


Quando estudava em Lavras, no sul de Minas, tinha certa paixão pelo marxismo. Li então o Rumo a Estação Finlândia, do Edmund Wilson, livro que mostra a evolução da análise histórica pari passu (ai!) com o desenvolvimento do pensamento socialista até Marx e chegando depois à materialização do comunismo com Lênin. No primeiro turno da primeira eleição pós ditadura votei no Roberto Freire - mas vim a BH nos comícios do Lula, uma das vezes sentei na janela do carro com uma enooorme bandeira do PT e vim da praça da Cemig até o centro gritando palavras de ordem.
Com o tempo, entretanto, algumas posições foram me alienando da dita esquerda - uma teoria do estado forte e produtor que aqui foi um desastre sempre, defesa do ditador de Cuba e outros ditadores comunistas, um antiamericanismo fanático (o "Grande Satã" culpado por TODOS os males da humanidade), uma visão tacanha de administração, um corporativismo onde os fins justificavam os meios (corrupção, por exemplo, pode, desde que o dinheiro vá para o partido), uma visão ditatorial do partido, etc. Mas isso quando ainda não estavam no poder, e eram posições que eu tinha esperanças evoluiriam com o tempo - mais ou menos como aconteceu com o socialismo na Europa.
Agora, uma vez no poder, vem escândalo atrás de escândalo, um superinchaço da máquina pública, o aparelhamento do estado, a corrupção desenfreada, a aliança com figurinhas como Collor, Renan, Sarney... e o Lula manda os senadores do PT calarem a boca e defenderem o Sarney. O PT entra de cabeça na defesa de seus aliados, aprende a se corromper, a traficar influências... o José Dirceu atuando como uma eminência parda atrás das cortinas do empresariado nacional - e agora volta pra coordenar a campanha de Dilma. Volta?! Ele esteve afastado do poder? Porcaria nenhuma! Algum empresário se daria ao trabalho de contratá-lo como lobista se achasse que ele não tinha contatos e poder? E contatos do mais alto grau? Os empresários que o enriqueceram estavam certíssimos, já que agora ele escancaradamente "volta" ao "núcleo duro" do poder.
O governo efetuou enormes avanços no campo social - por mais assistencialistas que sejam as "bolsas", ainda formam um programa de renda mínima. Se faltam outros estágios para que se efetive a mudança dessas pessoas para a classe assalariada ou produtora, isso vai depender muito mais dos avanços da economia do que de programas do governo. Afinal, já provaram que fazer mais do que designar valores para um cartãozinho está completamente fora da capacidade administrativas desse povo que está aí.
Sempre que falo algo do governo recebo um "mas o Fernando Henrique...", "mas apesar disso", uma defesa disfarçada, tortuosa e elíptica do "rouba mas faz". Quando o "rouba mas faz" é de esquerda, pode? Não, não pode. A defesa do FHC vai até a parte econômica, ou partes da parte econômica, e só - foi ou não foi um feito e tanto estabilizar a economia? Acaba aí: nenhum governo, nenhum governante, pode roubar ou permitir que roubem, ninguém pode, como agora, vender falsas esperanças ao mesmo tempo que incha tanto a máquina pública e se endivida de maneira extravagante deixando uma bola de neve para explodir daqui 5, 10 anos. As conquistas sociais devem ser mantidas e expandidas - mas está passando da hora de termos transparência nas contas públicas, decência no comportamento público, partidos que funcionem como celeiros de homens e idéias, um governo que funcione como algo além de massa de manobra de cargos e acomodações políticas e um presidente que respeite a própria biografia. Aliás, biografia mesmo tem o povo brasileiro, que sobrevive há tantos séculos apesar dos governos - essa biografia sim, merece respeito.

28 de jul de 2009

Tuitando

Sarney popularizou a liturgia do cargo. Agora não pára com a litania do cargo: não fiz, não falo, não saio...

O inverno de José Sarney e do PT

Lúcia Hipólito, na CBN, numa análise da crise do Senado - lúcida Hipólito!

[Clique para ouvir]

27 de jul de 2009

Dizendos

Esse negócio do Lula falar o tempo todo em biografia, relativização de crimes, perseguição da mídia... não é mais a respeito do Sarney, já é treino pra autodefesa.
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Dirigir bêbado é perigoso. Com esse trânsito que está aí, mais do que atravessar a rua sóbrio?
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Idéia para a "Record Internacional", que acaba de lançar um programa chamado "Quem quer dinheiro?" lá fora: usar a imagem dos bispos da emissora levantando a mão e algumas imagens de arquivo com o Edir Macedo carregando aqueles sacos de notas.
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A mídia não persegue o Sarney não, a mídia é elitista. Por que só o presidente do Senado? E os outros? Deve ser uma estratégia pra vender mais revistas e jornais: vão divulgando os escândalos um por um e aí conseguem ter matéria por mais tempo.
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Sarney tem uma coluna na Folha. E ao invés de explicar as falcatruas, escreveu sobre... a economia chinesa! E ninguém percebeu a piada pronta: Sarney falando em negócios da China?!

25 de jul de 2009

Americanos

Fui brincar com um amigo americano hoje à tarde que já que a NASA enviou sondas por todo o sistema solar, algumas inclusive mais adiante ainda, e até hoje não acharam vida inteligente, então eles podiam muito bem começar a exportar o american way of life, já que o público era o mesmo... povo mais sem senso de humor...

Burrice

Já tem algum tempo que estou querendo colocar aqui alguns rivais do Lula na produção de frases iluminadas - e o primeiro é um americano, o Samuel Goldwin (aquela do Lula de que os banqueiros "do outro lado do Atlântico" eram responsáveis pela crise me deixou perplexo: a culpa da crise era só dos europeus?! Aí que entendi que pra ele "o outro lado do Atlântico" é o lado de cima!). Goldwin, o "G" da MGM, ficou famoso tanto pelo sucesso no cinema quanto pela sua "originalidade e inteligência". Uma vez, tentando explicar seu método de trabalho, disse que detestava puxa-sacos: "Não quero uma pessoa que diga sim o tempo todo! Quero uma pessoa que quando eu disser não, diga não também!". Sobre uma artista que estava fazendo análise, comentou: "alguém que tem coragem de ir a um psiquiatra devia mandar examinar a cabeça!". Como se vê, nosso querido presidente tem alguma concorrência nessa área... aliás, uma frase que o Lula poderia ter feito: "Nunca faço previsões, especialmente sobre o futuro". E não fale comigo enquanto eu estiver interrompendo você!

23 de jul de 2009

Ganso

Uma vez em Belo Horizonte um meu irmão, pequeno ainda e recém-chegado na capital, atende o telefone e me procura espantado: - Tem um homem querendo falar com você mas ele disse que é um ganso!
Um grande amigo, irmão, companheiro de tantas e tantas aventuras, farras, bebedeiras, planos, a voz rouca parecendo que tinha engolido areia, o olhar sempre alerta para "os malfeitos", pronto para a gozação, para a brincadeira, a língua tão ferina e rápida quanto o coração era bom e os planos eram loucos, atravessou a cortina no início do mês. Uma morte que ainda não bateu "nas franjas dos lutos de sangue", não assimilei ainda. Vai fazer muita falta, o Ganso - Agoncílio Tavares da Silveira Silva, acho que era esse o nome completo, renegado por ele mesmo: - Agon o quê?!, perguntavam quando ele era apresentado por outras pessoas, e ele acrescentava rapidamente: - Ganso, sô, Ganso! Ele mesmo nunca se apresentava pelo nome. Vou aos poucos contar histórias nossas... mas o que me vem à cabeça no momento é a música Chula no Terreiro, do Elomar, que evoca os companheiros que se foram: o Ganso era uma mistura desses dois companheiros da música, um que "só pedia que a vida fosse regada com galinha vin queijo e doce", uma festa noite e dia, e era também o "Fulô das Alegrias", com as risadas, a espantar a tristeza, espalhar a zoada, a festa, a farra... adeus, amigo, irmão. De vez em quando ao olhar pra cima e rir sozinho estarei pensando em você, em nós e nos nossos bons, loucos dias, e nas risadas que demos juntos.

Mas cadê meus companheiros, cadê
Que cantava aqui mais eu, cadê
Na calçada no terreiro, cadê
Cadê os companheiros meus cadê
Cairam na lapa do mundo, cadê
Lapa do mundão de Deus, cadê

Mas tinha um que só pedia que a vida fosse
Uma função noite e dia que a vida fosse
Regada com galinha vin queijo e doce
Sonhando a vida assim arriscou mesmo sem posse
Deixando a vida ruim então se arretirou-se
Levou-lhe um ridimúin e a festa se acabou-se, ai saudade

Mais tinha um que só vivia pra dá risada
Quando ele aparecia a turma na calçada
Dizia évem Fulô, Fulô das alegria
Coveiro da tristeza e das dores magoadas
Pegava a viola e riscava uma toada
Espantava a tristeza espalhava a zuada, ai...

22 de jul de 2009

Culpa

Quem já leu Sherlock Holmes lembra das incríveis capacidades dedutivas do famoso detetive. O seu autor, Conan Doyle, teve um professor que usava essas capacidades dedutivas para espantar seus alunos e usou algumas delas nos seus livros. Conan Doyle, entretanto, por mais que as "pistas" indicassem o contrário, acreditava em fadas, duendes, espíritos do além e toda uma gama de incríveis bobagens. Mas um caso divertidíssimo aconteceu com ele: após a descoberta de um espião sair em todos os jornais britânicos, ele, de brincadeira, escreveu um bilhete sem assinatura para cinco amigos dizendo: "Fomos descobertos. Fuja imediatamente." Para sua surpresa, um desses amigos desapareceu sem deixar vestígios!

Frases

A cada vez que ouço uma palavra ou frase, fico imaginando suas origens. Simplesmente adoro a etimologia das palavras. As frases, como tantas outras convenções sociais, às vezes têm origens inusitadas. Tantos costumes, frases, palavras, atos e gestos são incorporados ao nosso cotidiano que aos poucos vamos nos tornando "autômatos sociais". Ao mesmo tempo, novas palavras, ou novos usos para velhas palavras vão incrementando e revivificando a língua. Irado!, no meu tempo não tinha o significado de coisa legal, super, etc. E "estadia" só podia ser usado pra barco! O Stephen Fry diz que não existe má gramática, só má semântica. E língua é pra isso mesmo, tem que se usar sem dó, criando, mudando, sendo moleque com ela. Mas a herança (ou rastro) que esse uso deixa é interessantíssimo, também. Então vou criar mais uma "seção" no blog, com frases, seus usos e história. E começo com uma "bunita": nenhum homem é uma ilha.
Bão, primeiro que pra mim a frase era "nenhum homem é uma ilha no arquipélago da humanidade". O que, pensando bem, é meio bizarro: se a humanidade é um arquipélago, TODO homem é uma ilha... ou a frase era isso mesmo? De onde veio isso, meu deus?! A frase famosa mesmo é "nenhum homem é uma ilha". E vem de um escrito do John Donne, poeta metafísico inglês, e a íntegra é:
"Toda a humaninade tem um só autor, e compõe um volume único; quando um homem morre, o capítulo não é retirado do livro, mas traduzido numa lingua mais nobre: e assim todo homem terá sua tradução. Quando soam os sinos para o sermão, soam não só para o pregador mas para toda a congregação. (...) Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti."
John Donne (1572-1631). Devotions upon emergent occasions and severall steps in my sicknes - Meditation XVII, 1624

18 de jul de 2009

Opostos


Uma tirinha antiga da Folha de São Paulo mostrava a polícia invadindo um barraco e apontando as metralhadoras para uma mãe com aquela escadinha de filhos, enquanto anunciava: - Você está presa por formação de quadrilha! Agora se dá o oposto - queria ver a polícia invadindo a casa senhorial no feudo maranhense e anunciando ao Sarney: - Você está preso por formação de família! Aliás, deveríamos ter essa regra: só elegermos celibatários. Pelo menos não se reproduzem... Entretanto, é incrível a desfaçatez com que deputados e senadores se comportam - conseguiram até mesmo perverter a já perversa ironia da frase do Stanislaw: ou nos locupletemos todos ou restaure-se a moralidade. Vem então os "bolsa-caraminguá" para todo o andar de baixo, com a ironia da ironia: todos somos iguais, esqueça-se a moralidade, que todos nos locupletemos, mas alguns se locupletarão mais do que os outros. Um antigo ditado da terrinha dizia que, se rouba tostão, ladrão; se rouba milhão, barão. Se passar do milhão, senador - uma atualização necessária. E o tal senhor do Maranhão nem mesmo pode se juntar ao Lula e ao Ademar de Barros na turma do rouba mas faz.

8 de jul de 2009

Mencken

Henry Louis Mencken
A história do crítico e jornalista norte-americano.
"Acredito que é melhor ser livre do que ser um escravo. Acredito que é melhor dizer o que se pensa do que mentir. E acredito que é melhor saber do que ser um ignorante."

Altas horas da noite, o crítico e jornalista norte-americano Henry Louis Mencken acendia um charuto, sentava-se em frente à máquina de escrever e dava início a seu entretenimento favorito. Golpeando as teclas num ritmo frenético, em meio a intermináveis baforadas, ele se lançava em mais uma sessão de diatribes e impropérios: o alvo de seus ataques, dependendo do dia e do estado de espírito, podia ser algum escritor de talento duvidoso, a moral da classe média americana, o New Deal política norte-americana de investimentos em obras públicas para enfrentar a recessão na década de 30 ou a humanidade como um todo. De tempos em tempos, Mencken fazia uma pequena pausa, lia o que acabara de escrever, dava um tapa na perna e soltava uma gargalhada. Depois de recuperar o fôlego, suspirava com satisfação e começava o próximo parágrafo.

A cena, descrita por um colega de trabalho, é perfeita para ilustrar a obra e a personalidade de Mencken, um dos grandes mitos do jornalismo norte-americano e um dos maiores críticos da mentalidade do seu país. Fustigou sem piedade as instituições, as crenças e os costumes de seus conterrâneos. Inimigo jurado de toda forma de puritanismo, atacava a moral burguesa, onde quer que a encontrasse. E poucas coisas lhe davam mais prazer que assistir, com um olhar lânguido e complacente, à indignação generalizada que seus textos despertavam.

Mencken nasceu em Baltimore, em 1880, e ali ficou até o fim da vida, em 1956. Suas palavras, no entanto, alcançavam os quatro cantos dos Estados Unidos, levadas por revistas como Smart Set e American Mercury. Pródigo, abundante, ele escreveu durante quatro décadas e incomodou na mesma medida em que foi lido por todos até por aqueles que o detestavam.

No auge da sua carreira, ele se tornou algo como o superego do seu país, uma espécie de má consciência nacional, pronta a denunciar toda espécie de mesquinharia e provincianismo. Sua inteligência transgressora tornou-o o ídolo de muitos; outros tantos, talvez a maioria, jamais perdoaram sua iconoclastia. Entre seus admiradores, encontrava-se o crítico Edmund Wilson, um dos maiores pensadores norte-americanos, autor de Rumo à Estação Finlândia, que cresceu lendo os textos de Mencken na revista Smart Set e para sempre o consideraria uma de suas influências decisivas. O escritor F. Scott Fitzgerald, que devia às resenhas literárias de Mencken muito da sua fama, apontava o Sábio de Baltimore como um dos maiores inspiradores da Geração Perdida, o grupo de jovens intelectuais americanos que, no período do pós-guerra, dedicou-se a retratar a morte de todos os deuses e o esgotamento dos antigos ideais.

Mencken jamais se sentiu à vontade com essa posição de guru intelectual: afinal, sempre esforçou-se em evitar o proselitismo e poucas coisas o deixavam mais desconfiado que a unanimidade, mesmo quando ela estava do seu lado.
Hoje, muitos o vêem como o exemplo do intelectual cético e belicoso, descrente de todas as convicções, avesso a certezas absolutas e a tudo o que possa servir de obstáculo para o uso da razão. Suas armas foram o cinismo e a hipérbole. Seu legado, a sugestão de que o homem é uma criatura desastrada e que só a cultura é capaz de redimi-lo. Em uma entrevista, no final da vida, disse que a humanidade sofre de uma idiotice patológica; ela jamais será feliz. No entanto, seu vigoroso ceticismo guarda espaço para uma firme, ainda que discreta, esperança: "Acredito que é melhor ser livre do que ser um escravo. Acredito que é melhor dizer o que se pensa do que mentir. E acredito que é melhor saber do que ser um ignorante."


http://super.abril.com.br/superarquivo/2003/conteudo_121155.shtml

"Pode-se dizer com bastante segurança que qualquer artista de alguma dignidade é contra seu país”. “Todo homem decente se envergonha do governo sob o qual vive”. “O principal conhecimento que se adquire lendo livros é que poucos livros merecem ser lidos”. Essas e outras frases estão impregnadas no inconsciente de quem passou os últimas décadas lendo atentamente os melhores jornalistas culturais brasileiros do século XX. Porque todos eles, direta ou indiretamente, foram influenciados por H.L. Mencken. A começar por Paulo Francis, que o tinha como um de seus heróis, junto a Bernard Shaw e Edmund Wilson. Emendando com Ruy Castro que, além de compilar essas frases em suas coletâneas de Mau Humor, organizou a mais célebre edição de Mencken em português – justamente, O Livro dos Insultos, que teve sua primeira tiragem em 1988, com tradução e posfácio de Ruy, mais orelha de... Paulo Francis.
http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1566

4 de jul de 2009

Thomas Midgley

Provavelmente a pessoa a causar sozinha o maior dano à atmosfera do planeta. Inventor, foi o descobridor de que a adição de chumbo (tetraetil, TEL) melhorava o processo de combustão interna dos automóveis, dessa maneira lançando toneladas de material tóxico na atmosfera e envenando milhares de pessoas no início do século XX. Mais tarde, corroido pela culpa, segundo alguns, desenvolveu os clorofluorcarbonos, o primeiro dos freons, para uso em geladeiras, sprays, etc., no lugar dos até então utilizados (amônia e outras substâncias tóxicas). Se achou o bambambam, pois substituiu substâncias nocivas em aparelhos de uso comum por um gás inerte, inodoro e inofensivo. Para azar dele, logo depois descobriu-se que os CFC's, longe de inofensivos, estavam entre os responsáveis pela destruição da camada de ozônio! Um comediante britânico chegou a sugerir que ele deixasse de lado os intermediários e começasse logo a matar criancinhas com um martelo. Continuando sua história de inventos desastrados, após contrair polio aos 51 anos, inventou um sistema de engrenagens para ajudá-lo a subir e descer da cama - acabou morrendo estrangulado pelo próprio invento. Não é um dos inventores mais bem sucedidos que eu conheça...

2 de jul de 2009

Questionário

Tudo bem que acabou a febre do politicamente correto... mas alguma coisa ficou, não? Ismos, expressões racistas, bandeiras e ideologias vão passando, mas deixam marcas indeléveis. Olha a briga dos franceses com a burka. Eu, que sou ex-fumante, discrimino abertamente fumantes - encho o saco mesmo. Acho nojento hoje em dia. Discriminação racial nunca tolerei, mas acho uma besteira falar "afrodescentes", a não ser que eu vire íberodescendente, apesar de ter vindo ali de Salinas mesmo. Associo desde sempre machismo com insegurança e feminismo idem. Como o Mencken dizia, não sou preconceituoso, odeio todo mundo indistintamente. Adoro rir de tudo - como quando dizem que nazista só fez aquilo tudo com judeu porque não conhecia argentino... essa viagem toda foi porque eu descobri que na Veja on line tem um questionário (clique aqui) para definir seu espectro político! À esquerda ou à direita, bem tendencioso. Refiz o questionário para adequá-lo à minha posição política, que é na ponta dos pés e preparado pra correr:

1 - Em qual das classificações raciais você se enquadraria melhor, levando em conta sua consciência de tempo e espaço?
a) Branco, mas com um super sentimento de culpa a respeito disso; (1 ponto)
b) Carioca, cigano, nordestino ou torcedor do América, mas tentando entrar pra alguma minoria mais oprimida convertendo-me ao judaísmo; (3 pontos)
c) Negro e preparado pra dar dois rabos de arraia no brancoféadamãe que não me chame de "afrodescendente" (5 pontos)
d) Petista de carteirinha com direito a cota racial (vermelho é cor, afinal de contas) e proteção ambiental (20 pontos)

2) - Sob qual denominação religiosa você seria melhor enquadrado?
a) Igreja Universal, contribuindo mensalmente num consórcio imobiliário para um lote no céu; (1 ponto)
b) Qualquer religião que tenha um guru, envolva práticas de posições estranhas e tenha uso de incenso, além de 514 deuses e 2.013.024 preceitos e ordenações (5 pontos)
c) Uma seita que eu mesmo fundei e que eu não vou contar pra ninguém porque senão vem todo mundo atrás e vão me encher o saco no paraíso (10 pontos)
d) Petista de carteirinha, acredito em Lula e Papai Noel, desde que o Papai Noel seja um bom menino e não fale mal da Petrobrás (20 pontos)

3) Qual o tipo de filosofia política que você segue:
a) Qualquer democracia que me dê um emprego no governo (1 ponto)
b) Democracia participativa com direito de voto restrito a ciganos albinos e maranhenses escritores; (3 pontos)
c) Tecnocracia Federativa com todos os lucros das empresas estatizadas e controladas por comitês de reservas indígenas usados num programa pra enviar todos os brancos vagabundos de volta pra Europa e pegar os espelhinhos de volta. (20 pontos)
d) Mesma resposta acima radicalizada, mandando os negros de volta pra África também. Podem ficar com os espelhinhos. (20 pontos)
e) Como bom petista de carteirinha, democracia representativa desde que restrita às teses aprovadas no congresso do partido... peraí, isso não entra não é em "religião", não? (25 pontos)

Não deixa de ser uma forma tão eficiente como qualquer outra de definir o espectro político de alguém...

(aproveitei e desenvolvi uma idéia de uma Mad da década de 70)

1 de jul de 2009

Político mineiro

Pra falar a verdade, tenho saudades do político mineiro, aquele com quem a gente só podia conversar em legítima defesa, senão acabava enrolado. Era a pós-graduação da esperteza caipira, do matuto elevado às arcanas instâncias... e, entre idas, vindas e enrolações nesses séculos, perpetuou a pobreza e a ignorância das Minas. Tinha a elegância de saber que "Minas está onde sempre esteve", usava todos os estratagemas pra atingir seus subterfúgios. Millôr: Político mineiro é franco e direto, vai logo dando pseudônimos aos bois... mas tinha uma certa decência, não tinha? Ou era lenda também? Parece que tudo se corrompe nesse país, meu deus! As ONGs, por exemplo, começaram até bem, mesmo que servissem principalmente de refúgio pra os "heróis sociais", tipo de gente chegado num plebiscito e encontros partidários... até que descobriram que melhor que partido, só boquinha arrumada pelo partido. E toma aparelhamento. Agora, acho, vale mais do que nunca (ironia das ironias, devido ao PT) o famoso dito: ou nos locupletemos todos, ou restaure-se a moralidade. Ou alguém duvida do verdadeiro sentido do "A Petrobrás é nossa"? Os petistas em geral estão seguindo à risca a receita do John Paul Getty Jr., bilionário americano que, quando perguntado por sua receita para enriquecer, disse: "Acorde cedo, trabalhe muito, ache petróleo". E pelo amor de deus sem volta aos tucanos, àquele marasmo típico daqueles grandes homens de ações...