28 de mai de 2009

Adriano de Yourcenar

Adriano:
“Os cínicos e os moralistas concordam em colocar a volúpia do amor entre os prazeres ditos grosseiros, como o prazer de comer e de beber, declarando-a, contudo, menos indispensável do que aqueles, visto que eles podem perfeitamente prescindir dela. Do moralista tudo se espera, mas espanto-me que o cínico se tenha enganado. (...) De todos os jogos, o do amor é o único capaz de transtornar a alma e, ao mesmo tempo, o único no qual o jogador se abandona necessariamente ao delírio do corpo. Não é indispensável que aquele que bebe abdique da razão, mas o amante que conserva a sua não obedece inteiramente ao deus do amor. Tanto a abstinência quanto o excesso não engajam senão o homem só. Salvo no caso de Diógenes, cujas limitações e caráter de racional pessimista se definem por si mesmos, toda experiência sensual nos coloca em face do Outro, acarretando-nos as exigências e as servidões da escolha.
Não conheço, fora do amor, outra situação em que o homem deva decidir-se por motivos mais simples e mais inelutáveis. No amor, o objeto escolhido deve valer exatamente seu peso bruto em prazer, e é ainda no amor que o amante da verdade tem maiores probabilidades de julgar a nudez da criatura. A partir do desnudamento total, comparável ao da morte, de uma humildade que ultrapassa a da derrota e a da prece, maravilho-me ao ver renovar-se, cada vez, a complexidade das recusas, das responsabilidades, das promessas, das pobres confissões, das frágeis mentiras, dos compromissos apaixonados entre nosso prazer e o prazer do Outro, tantos laços impossíveis de romper e tão depressa rompidos! Esse jogo cheio de mistérios, que vai do amor de um corpo ao amor de uma pessoa, pareceu-me belo o bastante para consagrar-lhe uma parte de minha vida. As palavras enganam, especialmente as do prazer, que comportam as mais contraditórias realidades, desde as noções de aconchego, doçura e intimidade dos corpos, até as da violência, da agonia e do grito.
A pequena frase obscena de Posidônio sobre o atrito de duas parcelas de carne, que te vi copiar nos teus cadernos escolares com aplicação de menino ajuizado, é incapaz de definir o fenômeno do amor, assim como a corda que o dedo faz vibrar não pode explicar o milagre dos sons. Essa frase insulta menos a volúpia do que à própria carne, esse instrumento de músculos, sangue e epiderme, essa nuvem vermelha de que a alma é o relâmpago.
Confesso que a razão permanece confusa em presença do prodígio do amor, da estranha obsessão que faz com que essa mesma carne, que tão pouco nos preocupa quando compõe nosso corpo, limitando-nos somente a lavá-la, nutri-la e, se possível, impedi-la de sofrer, possa inspirar-nos uma tal paixão de carícias simplesmente porque é animada por uma personalidade diferente da nossa e porque representa certos traços de beleza sobre os quais, aliás, os melhores juízes não estariam de acordo.
Aqui, como nas revelações dos Mistérios, tudo se passa além do alcance da lógica humana. A tradição popular não se enganou ao ver no amor uma forma de iniciação e um dos pontos onde o secreto e o sagrado se tocam. A experiência sensual equipara-se ainda aos Mistérios quando a primeira aproximação provoca nos não iniciados o efeito de um rito mais ou menos assustador, escandalosamente desligado de todas as funções até então familiares, como comer, beber e dormir, parecendo antes motivo de gracejo, vergonha, ou terror. Da mesma maneira que a dança das Mênades ou o delírio dos Coribantes, nosso amor arrasta-nos para um universo diferente, onde, em situação normal, nos é vedada a entrada e onde cessamos de nos orientar, uma vez apagado o ardor e extinto o prazer. (...)
Por vezes sonhei elaborar um sistema de conhecimento humano baseado no erotismo. Uma teoria do contato na qual o mistério e a dignidade de outrem consistiriam precisamente em oferecer ao Eu esse ponto de ligação com um mundo desconhecido. A volúpia seria, nessa filosofia, a forma mais completa e mais especializada de aproximação com o Outro, uma técnica a mais colocada a serviço do conhecimento de uma individualidade estranha à nossa.”

27 de mai de 2009

Brasil, Brasil - Um conto de quatro cidades

Esse documentário da BBC sobre música brasileira eu consegui há alguns meses - estou legendando aos poucos. Acabei de legendar essa parte sobre a música nas favelas cariocas até o surgimento do AfroReggae e o Bezerra da Silva lembrando: "A favela é / um problema social!"...
.....A partir dos anos 80, a cena musical brasileira reflete de diferentes maneiras a sociedade e suas contradições, e em quatro cidades começa a tomar corpo novos estilos e ritmos que são a essência da nova música brasileira.
No Rio, o funk, o hip hop e o reggae nascem das raízes e da cultura das favelas, criando estilos brasileiros marcantes. A violência e a vida na favela inspiram esses ritmos, ao mesmo tempo que a chacina de Vigário Geral dá a luz ao AfroReggae, até como uma forma de resistência da comunidade.

Clique aqui para ver todos os vídeos.

25 de mai de 2009

Terra de Hellman's: de Aliens e Índios

Assisti ao último Star Trek: o Spock velho usa até jeitinho brasileiro! Regras para todos os aliens: falar inglês. Saí do cinema rindo, com isso na cabeça: manual de comportamento dos aliens em geral. Começaria com essa regra do falar inglês. Também não poderia mostrar espanto com o fato de que as naves terráqueas que colidem no espaço fazem barulho! São admissíveis aliens com sotaque irlandês, mas os de sotaque russo só dos verdes pra cima. Qualquer demonstração de superioridade intelectual ou espiritual dos aliens (invariavelmente com cheiro de filosofia grega americanizada) será devidamente posta em seu lugar pelo "espírito intrépido" da jovem raça humana, com seu espírito de aventura, sua crença na terra dos bravos e dos livres e... ah é, sempre acho que perdi a parte onde os Estados Unidos dominam a Terra antes de partir para o espaço. E o jeito de vestir, obviamente, deriva da vontade de parecer um time ou um conjunto musical - caso a gente chegue em algum planeta distante e tenha karaokê, não vamos passar vergonha. E poderemos participar de partidas de qualquer tipo de esporte, desde que a torcida adversária não critique demais nossos colants. Quando cheguei em casa, ainda rindo dessas besteiras, fiquei imaginando onde tinha visto algo parecido com esse pastiche mental que estava fazendo. Achei hoje: Eco! O Segundo Diário Mínimo (pra quem não leu, pule direto para o primeiro Diário Mínimo, que é muito melhor). E não era com alien, era com índio. Vou colocar em posts separados para não ficar muito grande: (continua no post abaixo)

Como Ser um Índio

Uma vez que o futuro das nações indígenas parece estar selado, a única possibilidade de carreira para o índio jovem desejoso de ascender socialmente é aparecer num western. Para tanto, fornecemos aqui algumas instruções essenciais cobrindo toda a gama de atividades, tanto pacíficas como belicosas, necessárias ao jovem índio para qualificar-se como "índio de western", resolvendo deste modo o problema endêmico de subemprego próprio àquela categoria.
Antes do ataque
1. Nunca atacar de surpresa: fazer-se notar ao longe, com alguns dias de antecedência, por meio da emissão de sinais de fumaça bem visíveis, de modo a ensejar à diligência ou ao forte o tempo necessário para pedir socorro ao Sétimo Regimento de Cavalaria.
2. Sempre que possível, fazer-se notar em pequenos grupos na crista dos morros circundantes. Postar sempre sentinelas em picos muito isolados.
3. Deixar sempre vestígios evidentes de sua passagem: rastros de cavalos, fogueiras apagadas nos locais de acampamento, artefatos, penas e amuletos que permitam identificar a tribo a que pertencem.
Ataque à diligência
4. Ao atacarem uma diligência, os índios devem procurar sempre manter uma certa distância durante a perseguição ou, no máximo, flanqueá-Ia na corrida, de modo a poderem ser alvejados.
5. Sofrear os pôneis, notoriamente mais velozes do que os cavalos de tiro, a fim de jamais ultrapassarem a diligência.
6. Só tentar deter a diligência um de cada vez, atirando-se sobre os arreios dos cavalos, de modo a poderem ser alvejados pelo cocheiro e devidamente esmagados pelas rodas do veículo.
7. Nunca bloquear em grupo a estrada por onde segue a diligência: assim ela teria de parar de imediato.
Ataque a rancho isolado ou a um círculo de carroças
8. Jamais atacar à noite, pegando os colonos de surpresa.Respeitar sempre o princípio segundo o qual os índios só atacam de dia.
9. Fazer ouvir com insistência o uivo do coiote, de modo a assinalar sua posição.
10. Se um branco também emitir o uivo do coiote, levantar imediatamente a cabeça a fim de oferecer-lhe um alvo fácil.
11. Atacar sempre em carrossel, sem jamais fechar o cerco, de modo a poderem ser alvejados um a um.
12. Não empregar jamais todos os homens no carrossel; devem ser substituídos à medida que forem caindo.
13. Apesar da ausência de estribos, dar algum jeito de emaranhar os pés nos arreios do cavalo, de maneira que, uma vez atingido, possa ser arrastado pelo animal.
14. Usar rifles cujo funcionamento se desconhece comprados em mãos de mascates desonestos. Empregar sempre um tempo excessivo para carregá-Ios.
15. Nunca interromper o carrossel no momento em que chegam os reforços do inimigo. Esperar a carga do regimento de cavalaria sem ir ao seu encontro, e debandar desordenadamente ao primeiro entrechoque, ensejando perseguições individuais.
16. No caso dos ranchos isolados, mandar sempre à noite um homem sozinho para espionar. Este deverá aproximar-se de uma janela iluminada e contemplar longamente a mulher branca que se encontra dentro da casa até esta perceber o vulto do índio na vidraça. Esperar o grito da mulher e a saída dos homens, e só então tentar fugir.
Ataque ao forte
17. Antes de mais nada, afugentar todos os cavalos do forte durante a noite, mas não se apoderar dos animais. Deixar que se dispersem pela pradaria.
18. Em caso de escalada das paredes externas do forte no decorrer da batalha, só escalar a paliçada um a um. Deixar aparecer primeiro a arma e depois, lentamente, a cabeça. Emergir no momento exato em que a mulher branca já tiver assinalado sua posição a um atirador de elite. Depois de alvejado, jamais cair para dentro da área do forte, mas de costas, para o lado de fora.
19. Disparando de muito longe, pôr-se em evidência no ponto culminante de um morro, de modo a cair para a frente quando for atingido, espatifando-se nas rochas subjacentes.
20. Em caso de confronto direto, demorar-se bastante na mira.
21. No mesmo caso, jamais usar revólveres, que resolveriam imediatamente o confronto direto, mas limitar-se ao emprego de armas brancas.
22. Em caso de retirada dos brancos, jamais roubar as armas dos inimigos mortos. Só o relógio de bolso, mas sempre se demorando para ficar escutando atentamente seu tique-taque até a chegada de outro inimigo.
23. Em caso de captura do inimigo, jamais matá-lo imediatamente. Amarrá-lo a uma estaca ou prendê-lo numa tenda e esperar pela lua nova, caso contrário não terão tempo de vir libertá-lo.
24. De qualquer maneira, resta sempre a certeza de matar o corneteiro inimigo assim que se ouvir ao longe o rumor da chegada do Sétimo Regimento de Cavalaria. Nesses momentos, o corneteiro do forte sempre se põe de pé para responder da ameia mais alta do forte.
25. Em caso de ataque à aldeia dos índios, sair das tendas da maneira mais confusa possível, e correr em direções opostas procurando pegar as armas que terão sido previamente guardadas em lugares de difícil acesso.
26. Controlar a qualidade do uísque vendido pelos traficantes: a proporção do teor de ácido sulfúrico deve ser de três para um.
27. Em caso de passagem do trem, assegurar-se de que esteja a bordo um caçador de índios, e flanquear o comboio a cavalo agitando um rifle e lançando brados de saudação.
28. Ao pular do alto sobre as costas de um branco, brandir a faca de maneira a não feri-lo imediatamente, permitindo o corpo-a-corpo. Esperar que o branco se vire de frente.

Umberto Eco, Segundo Diário Mínimo

21 de mai de 2009

Tuitando

A mulher de Sócrates, Xantipa, era tão chata que Sócrates vivia nos butecos tomando cicuta.
Millôr

18 de mai de 2009

Casos Salinenses: O Homem Completo

"Um homem só é completo quando tem família; mulher e filhos. Desculpem: completo ou acabado?!"
Millôr

Um amigo de Salinas resolveu publicar um livro, em 1996 - com o apoio de um partido político, ficaria com o total das vendas e ainda teria a satisfação de ver sua "obra" nas mãos dos amigos, etc, o que permitiria a ele entrar na Academia Salinense de Letras(!). Eu fui "escolhido voluntário" para fazer a edição e revisão do tal livro, junto com outro amigo. Nós nos debruçamos sobre aquele calhamaço e na primeira semana já tínhamos um apelido para o autor: a Agatha Christie do Sujeito, ou O Mago do Sujeito Oculto. Nínguem achava quem era o sujeito das orações: mudavam constantemente, dentro da mesma frase, do mesmo período. Ficávamos completamente perdidos - tinha caso do menino dele com uma bola,a bola falava; boi que reclamava da sogra; gente que brigava sozinha na frente dos outros, e por aí vai. Seria uma espécie de realismo fantástico se fosse intencional. Ele saiu-se com um personagem que "sentiu um absenteísmo de paixão por ela" e eu fui dizer pra ele que absenteísmo era outra coisa, e ele disse: "deixa, deixa, ninguém aqui sabe o que é isso mesmo, nem eu"!
Bom, lançou o livro, noite de autógrafos, até A imprensa lá ("a" imprensa respondia pelo nome de Tibúrcio), e o Autor, que já tinha tomado umas e outras, levanta-se e começa o discurso:
"Eu cresci ouvindo que para ser um homem realizado, a gente precisa ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore. Eu tenho dois filhos lindos e inteligentes, que puxaram a mãe nessas duas qualidades, graças a Deus. Estou agora realizando o sonho de publicar um livro"...
e, para horror da liga das senhoras católicas de Salinas, acrescentou:
..."e se pé de maconha servir, eu sou um homem realizado!"
A cara de espanto das "autoridades" presentes, o horror das senhoras e senhores da platéia, o choque do padre... o discurso foi interrompido por vaias e palmas, uma balbúrdia. Eu estaria entre os que aplaudiria de pé, se não estivesse no chão dobrando de rir.

15 de mai de 2009

Tuitando

Mulher: o meio é a mensagem.

Pulga (novos significados)

Pulga - s.m.: Parasita sugador sem asas. Ver também: Deputado.


Pout Pourri do Millôr:
............Ao continuar essa assunto sobre a proverbial honestidade dos nossos políticos, comecei a me lembrar de algumas pérolas do Millôr. Resolvi colocá-las aqui antes e depois escrever minhas próprias besteiras em outro post.

  • de que é que estão abusando mais, da paciência do povo ou da flexibilidade semântica? [essa podia valer para a alteração da poupança]
  • o verdadeiro milagre brasileiro: uma democracia completamente isenta de democratas.
  • só haverá democracia [nessa joça] o dia que houver voto a favor, voto contra e voto retroativo. [implantado esse, aí sim, poderíamos ter um gostinho democrático]
  • Deus é brasileiro. Mas o demônio é americano. [sei não, sei não... e o Senado, como se explica?]
  • BRASIL: PAÍS DO FATURO
  • Este é o país com a maior probabilidade de criar um mundo inteiramente novo. Caos não falta.
  • A corrupção anda tão generalizada que tem político desmentindo quando é chamado de incorruptível.
  • Brasília é o desnecessário tornado irreversível.
  • Nas noites de Brasília, tão cheias de deputados, todos os gastos são pardos.
  • O corrupto é um animal extremamente parecido com um não-corrupto. Mas esses estão quase extintos por serem muito fáceis de capturar.
  • Lula - um líder aspirando a cada vez mais pompa e tropeçando cada vez mais nas circunstâncias.

14 de mai de 2009

Tuitando

  1. Reading: "A última entrevista de Ezra Pound | Revista Bula": (http://twitthis.com/djels2)
  2. Reading: "O efeito Bloom | Revista Bula" (http://twitthis.com/vir9co)

9 de mai de 2009

Umberto Eco - uma antibiblioteca

Umberto Eco é fantástico - sua cultura enciclopédica não faz sombra à sua imaginação, nem ao seu profundo sentimento de fascínio pelo humano. Li O Nome da Rosa a primeira vez e gostei muito da trama; acho que foi quase no seu lançamento, eu ainda adolescente. Li alguns anos depois, e tive paciência de traduzir as partes em latim. Ainda mais uns anos, e conhecia suficientemente bem do cristianismo medieval pra entender os cismas e heresias, assim como conhecia o suficiente de história para entender o sutil jogo político em cena. Juntando tudo, dá pra entender como a busca do livro do riso num labirinto é uma metáfora poderosa para descortinar nossa dimensão humana. Uma pergunta: eu passo do Eco ao Calvino sem dificuldades (não os contos), como se eles escrevessem numa língua comum. A Ilha do Dia Anterior e a coleção Nossos Antepassados, um mais hiperbólico enquanto os outros são mais metafóricos, mas não parecem compartilhar de uma mesma visão de mundo? Abaixo, o artigo que inspirou essa viagem toda:
"O escritor Umberto Eco pertence a uma pequena classe de estudiosos que são enciclopédicos, perspicazes, e interessantes (no original: nondull, não-chatos). Ele é o dono de uma grande biblioteca pessoal (contendo trinta mil livros), e separa os visitantes em duas categorias: os que reagem com "Uau! Signore, professore dottore Eco, que biblioteca você tem! Quantos desses livros você já leu? "E os outros - uma minoria muito pequena - que entendem que uma biblioteca particular não é uma vitrine ou um apêndice para o ego, mas uma ferramenta de pesquisa. Livros lidos são muito menos valioso do que os não lidos. A biblioteca deve conter muito do que você não sabe, o tanto que os mercados financeiros, juros e empréstimos permitirem que você coloque lá. Você irá acumular mais conhecimento e mais livros à medida que envelhecer, e o crescente número de livros não lidos nas prateleiras irá olhar para você ameaçadoramente. Na verdade, quanto mais você souber, tanto maior será a fila de livros não lidos. Vamos chamar essa coleção de livros não lidos de uma antibiblioteca." Aliás, vamos torcer por isso... eu tenho uma gramática de finlandês que me olha condescendentemente há uns 10 anos.
Inserido de <http://threemonkeysonline.com/book_blog/2009/non-fiction/umberto-ecos-anti-library-by-way-of-the-black-swan>

8 de mai de 2009

José Simão

Outra do Zé:
O flagrante de adultério mais hilário do planeta. Um amigo meu pegou a mulher transando com outro e começou a gritar furiosamente: "Isso é uma pouca vergonha, uma imoralidade, vou passar fogo nos dois e QUEREM PARAR DE TRANSAR ENQUANTO EU FALO?" Rarará! Flagrante de auditório!

Tuitando

Adoro a Lucianta Gimenez: ela diz "Vou abrir um parênteses" e faz sinal de aspas com os dedos!

7 de mai de 2009

Novo Blog

Criei um novo blog pra colocar as (muitas) besteiras que não têm muito a ver com esse blog daqui. Filmes, vídeos, músicas, fotos, blogs... recebo indicações o tempo todo: queria um espaço pra colocar essas indicações e descobertas sem atravancar demais esse espaço daqui. O nome do novo blog é eGotrip; entretanto, o endereço egotrip estava tomado. Tentei paideuma, paidéia, iasnáiapoliana (a roça do Tolstói), finalmente consegui um endereço: canoneocidental.blogspot.com. Tão megalomaníaco que casou com a proposta de um "paideuma reverso", um lugar para separar o joio do trigo e publicar o joio.
Paideuma: ■ "a ordenação do conhecimento de modo que o próximo homem (ou geração) possa achar, o mais rapidamente possível, a parte viva dele e gastar um mínimo de tempo com itens obsoletos.”
megalomania: Acepções
■ substantivo feminino
1 Rubrica: psicopatologia.
supervaloração mórbida de si mesmo; macromania
2 Derivação: por extensão de sentido.
predileção pelo grandioso ou majestoso; mania de grandeza
3 Derivação: sentido figurado.
ambição ou orgulho desmedidos

Tuitando

Criou-se no Brasil uma casta que toma como direito adquirido o que não passa de privilégio obsceno.
Clóvis Rossi

6 de mai de 2009

Tuitando

"Babe, o Porquinho Gripado". Um filme contagiante.

5 de mai de 2009

Amigos

Sempre-encontráveis: o Rosa cria essa expressão no conto Minha Gente, do Sagarana. Os amigos com quem a gente sempre se encontra, ou são destinados a se encontrarem com a gente, vida afora. Tenho alguns amigos assim - dois, três, cinco anos sem a gente se ver, de repente aparecem e conversam como se tivéssemos nos visto ontem. Adoro isso, parece que um faz parte da vida do outro, sem maiores necessidades de conversas, explicações, nada. Só a amizade mesmo, daquelas amizades onde a gente pode fazer silêncio nela, sabem? Acho que todos têm isso, pra mim é a suprema intimidade: quando a gente senta ao lado de alguém e pode ficar um tempão lá, sem conversar, sem falar nada, e ainda se sentir em casa, o silêncio não traz nenhum incômodo, somente a sensação de se estar fazendo "uso pleno" do sentido de amizade...

No conto:
"- E quando você aparece? Por estes dias?
- Impossível. Tenho uma enfiada de escolas por visitar, e devo tomar o trem muito longe daqui. Até outra vez!...
E Santana toca, na mesma andadura, sem se voltar. Mas tornarei a vê-lo, sei. E é graças aos encontros inesperados dos velhos amigos que o mundo é pequeno e, como sala-de-espera, ótimo, facílimo de se aturar..."
Né não, Fravim? Beto-duende? Gesão? Betíferus? Ganso?
Uma música linda do Elomar, Chula no Terreiro (clique para baixar), onde ele pergunta no refrão: Mas cadê meus cumpanhêro, cadê...