30 de jun de 2009

Manchetes

Um documentário do Pasquim passou no canal Futura no sábado - bastante interessante, apesar de eu conhecer bem a história do jornal e ter sido até assinante. Um destaque para as frases que vinham na capa - lembrando que estavam em plena ditadura:
"Quem tem jornal tem medo"
"Pasquim - um jornal que não pode se queixar"
"Quem é vivo sempre desaparece"
"Mais verde de susto que de esperança"
Além dessas, de enfrentamento através do humor e do duplo sentido, tinham algumas assim: "Jacqueline não só nasceu com o rabo virado pra lua como soube usá-lo". Mas não era sobre isso que eu queria falar: procurando mais coisas do Pasquim on line, acabei topando com o site Cloaca News e umas manchetes hilárias. Abaixo algumas das manchetes (íntegra aqui):
"Um teólogo francês, após exaustivas pesquisas, descobriu que Santa Terezinha teve três filhos. A descoberta, absolutamente, não comprometia o prestígio da santa, já que nada mais santo para uma mulher que ser mãe. Mas como constava no seu processo de canonização que ela era virgem, foi nomeada uma comissão no Vaticano para rever o processo. A notícia era só essa. Todos os jornais a publicaram discretamente, como convinha a uma notícia de caráter religioso, numa página interna. Todos não. O Luta Democrática, antigo jornal carioca especializado em assuntos policiais, estava sem manchete naquele dia. E quem pagou o pato foi a pobre Santa Terezinha. Na primeira página, em letras garrafais, ao lado de uma foto da santa, saiu a seguinte manchete: “PASSAVA POR VIRGEM”.
(...)
Se para o diário dos quatrocentões da Marginal Tietê o título não é tão importante assim, para quase todos os jornais ele é quase fundamental. Tanto que, pelos idos de 1940, o extinto vespertino A Noite, do Rio de Janeiro, dava um prêmio de cem mil réis ao redator que fizesse a melhor machete da semana. Orestes Barbosa, o compositor de Chão de Estrelas, era redator de A Noite e ganhou o prêmio numa semana em que deu o seguinte título para a notícia de uma mulher que havia castrado o marido porque este a traía diariamente: “CORTOU O MAL PELA RAIZ”."

Algumas de que me lembro: quando diagnosticaram que o Papa (Paulo VI, acho) tinha o pé gangrenado, um jornal do Rio estampou a manchete: "PODRE O PÉ DO PAPA!". E uma legenda ótima de uma foto onde o fotógrafo estava cobrindo a primeira travessia do Atlântico de avião até o Brasil. Não sei se por falta de tempo, esperteza ou incompentência, o jornal foi fechado com a legenda falando "Foto do local da chegada do avião tal ao Rio, quando ainda não se o via"! E como crítica literária, só perdendo para o Truman Capote falando dos beatniks ("Isso não é escrever, é datilografar!"), outra do Cloaca News:
"O título é importante, inclusive, numa crítica de cinema, teatro, literatura etc. Por exemplo: há muitos anos, quando José Mauro de Vasconcelos lançou um livro, bastou ler o título da crítica, feita pelo Jornal da Tarde, para saber que o crítico não tinha gostado nem um bocadinho do livro: “JOSÉ MAURO DE VASCONCELOS ANDOU ESCREVENDO OUTRA VEZ”"...

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