31 de mar de 2009

Mente Zen II

O segundo trecho do Garcia Morente:
"A concepção do homem como uma essência quieta, imóvel, eterna, e que se trata de descobrir e de conhecer, foi que nos perdeu na filosofia contemporânea; tem que ser substituída por outra concepção da vida na qual o estático, o quieto, o imóvel, o eterno da definíção parmenídica não nos impeça de penetrar por baixo e chegar a uma região vital, a uma região vivente, onde o ser não possua essas propriedades parmenídicas, mas antes seja precisamente o contrário: um ser ocasional, um ser circunstancial, um ser que não se deixe espetar numa cartolina como a borboleta pelo naturalista. Parmênides tomou o ser, espetou-o na cartolina há vinte e cínco séculos e lá continua ainda, preso na cartolina, e agora os filósofos atuais não vêem o modo de tirar-lhe o alfinete e deixá-lo voar livremente."
Adorei essa parte do Parmênides espetando uma visão do ser que perdurou por 25 séculos, e perdura na filosofia ocidental. O zen enquanto filosofia encara o ser dinâmico, ocasional, episódico; nada é, nada permanece. O Morente continua:
"Porém ainda há mais. A importância que Parmênides tem para a filosofia atual, nossa, consiste em que o obstáculo fundamental que se opõe em nossos dias a que o pensamento filosófico penetre em regiões mais profundas que as regiões do ser, consiste precisamente em que, desde Parmênides, e por culpa de Parmênides, temos do ser uma concepção estática em lugar de ter uma concepção dinâmica; temos do ser uma concepcão estática, inerte. Essas coisas que enumerei como as qualidades do ser: único, eterno, imutável, ilimitado e imóvel, que Parmênides faz derivar do princípio de identidade, nós aplicamos todos os dias; mas, em lugar de aplicá-las ao ser, as aplicamos à substância e à essência. Fragmentamos o ser de Parmênides em multidão de seres que chamamos as coisas; mas cada uma dessas coisas, as ciências fisico-matemáticas consideram-nas como uma essência, a qual, individualmente considerada, tem os mesmos caracteres que tem o ser de Parmênides; é Unica, eterna, imutável, ilimitada, imóvel. E precisamente porque demos a cada coisa os atributos ou predicados que Parmênides dava à totalidade do ser, por isso temos do ser uma concepção eleática e parmenídica, ou seja, uma concepção estática.
A ciência física da natureza, a própria ciência da física, começa a sentir-se apertada dentro dos moldes da concepcão parmenídica da realidade. A ciência fisica da natureza, a teoria intra-atômica, a teoria des estruturas atômicas, a teoría dos quanta de energia, que seria demorado desenvolver aqui, é já uma teoria que se choca um pouco com a concepção estática do ser à maneira de Parmênides; e a ciência contemporânea teve que apelar a conceitos tão extravagantes e esquisitos como o conceito de verdade estatística, que se o tivessem relatado a Newton o teria feito estremecer; apelar a conceitos de verdade estatística, que é o mais contrário que se pode imaginar à concepção estática do ser, para poder manter-se dentro dos moldes do ser estático, parmenídico.
Não somente a fisica; antes, o que não entra de maneira alguma dentro de tal conceito de ser, é também a ciência da vida e a ciência do homem.Porém ainda há mais. A importância que Parmênides tem para a filosofia atual, nossa, consiste em que o obstáculo fundamental que se opõe em nossos dias a que o pensamento filosófico penetre em regiões mais profundas que as regiões do ser, consiste precisamente em que, desde Parmênides, e por culpa de Parmênides, temos do ser uma concepção estática em lugar de ter uma concepção dinâmica; temos do ser uma concepcão estática, inerte. Essas coisas que enumerei como as qualidades do ser: único, eterno, imutável, ilimitado e imóvel, que Parmênides faz derivar do princípio de identidade, nós aplicamos todos os dias; mas, em lugar de aplicá-las ao ser, as aplicamos à substância e à essência. Fragmentamos o ser de Parmênides em multidão de seres que chamamos as coisas; mas cada uma dessas coisas, as ciências fisico-matemáticas consideram-nas como uma essência, a qual, individualmente considerada, tem os mesmos caracteres que tem o ser de Parmênides; é Unica, eterna, imutável, ilimitada, imóvel. E precisamente porque demos a cada coisa os atributos ou predicados que Parmênides dava à totalidade do ser, por isso temos do ser uma concepção eleática e parmenídica, ou seja, uma concepção estática."

Um comentário:

Anônimo disse...

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