19 de mar de 2009

Teotônio Vilela e Blog

Esse é um post autobiográfico - autoblogográfico, digamos. O nome do blog, Cadernos de Guerra, vem de serem assim chamados os cadernos de rascunho onde o mestre João Rosa anotava suas coisas e observações. E João, o Rosa, é um mestre querido: quando aprendi que o nobel da língua ia pra quem conseguia colocar a máxima carga significante no mínimo possível de dizeres, o edifício completo, Rosa mostrava que a língua pode não ser usada puramente de maneira eficiente, mas de maneira bela, inventiva, brincalhona, mesmo ornamental. Outro João, outro mestre, o Cabral de Melo Neto, usa a língua com pedras e como pedras, impede a leitura fluvial, impõe dificuldades, e a torna belíssima. Mas não era sobre isso que eu queria falar: à direita do blog, desde o início, tem uma figurinha com uma bengala pra cima, abaixo dos dizeres "Tótônio". É um outro mestre: Teotônio Vilela, andarilho e guerreiro da liberdade, figura ímpar na política, delicioso. Andou com Henfil quando, já com câncer terminal, insistiu em sair pelo Brasil pregando decência, democracia, direitos... era do partido da situação porque era um conservador e um liberal (na plena acepção do termo), mas passou para o MDB - não tinha compromisso com o erro. Dizia que a ditadura o suportava porque era um louco manso, um quixote que não representava perigo. Mas representou esperança: numa entrevista com o Henfil, este querendo fechar com chave de ouro a reportagem, dispara: "Teotônio, então diretas quando?" e ele, na bucha: "Diretas Já!". Estava criado o bordão que mobilizou milhões. Abaixo um vídeo onde ele, cansado, morrendo, fala de modo carinhoso do país, seu país, e fala de pátria e outras palavras que hoje são só nostálgicas. Assistam, assistam, assistam! É lindo, é comovente e faz a gente ter vontade de ir em Brasília com um chicote e expulsar os vendilhões do templo, os sanguessugas que há tempos imemoriais sugam e destroem essa pátria amada, gentil - que somos nós, não eles. A pátria, o Brasil profundo: esses somos nós. Eles são espectros-vampiros-pesadelos-esqueletos-no-armário purgatório-de-males castigo-dos-justos. Logo depois, um logo que criei, usando o desenho do Henfil, como idéia para fazer uma camiseta. E assistam o vídeo e divulguem: precisamos dizer que há esperança em políticos, apesar de tudo. E leiam! Leiam sobre o Totônio, meu Totônio, o Totônio do Henfil - colocando um link com uma reportagem com o Henfil falando dele também. Ah, era um boêmio, de elite (filho de senhor de engenhos, quebrado, mas mesmo assim...), etc. Mas na hora do pega pra capar pulou a cerca e foi pro lado do povo. E morreu digno, e grande, e belo.





Texto do Henfil: Câncer feito boato

Texto do Henfil: Teotônio não morreu

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