18 de set de 2008

O prazer do que é difícil - Machado de Assis

Divulguei no Youtube há alguns meses trechos do documentário Procurando Ricardo III, do Al Pacino, onde ele ao mesmo tempo mostra como interpretar Shakespeare e como entender Shakespeare, procurando mostrar as dificuldades do texto para leitores atuais, amenizá-las e explicá-las de modo que o texto possa chegar com toda a sua força para o leitor/espectador moderno. São os meus vídeos mais comentados, principalmente por professores - infelizmente, todos americanos, britânicos, etc. Não há um único post em português, e nós temos alguns dos melhores tradutores de Shakespeare do mundo, como o Millôr, que não só entendem o texto como conseguem transcriá-lo de forma inteligível - mas não fácil, e aí tem que pensar, acabou. Essa nossa preguiça de pensar, a ignorância olímpica de contextos históricos, de um mínimo cultural basilar, me dá vontade de pegar um chicote e expulsar os vendilhões da "academia". Hellman's tem poder: não era do Jaquespére que eu ia falar, mas do Machado: não adianta, não consigo deixar de achá-lo superestimado. E chato. Mas acho que tomei um pouco de antipatia por conta do auê em torno dele, como se fosse o "nosso" representante nas altas esferas das letras. Acho que os únicos a atingirem alguma estatura frente ao resto do mundo foram o Guimarães Rosa e o João Cabral de Melo Neto, os demais ainda estavam na infância da arte. Machado é no máximo um Rubinho Barrichelo mais chinfrim. Aí um professor me vem com a "revolução formal" do Machado, a apropriação de um discurso irônico que desnuda as relações sociais da época, etc.: acho bom, realmente. Mas acho bom do mesmo modo que acho o Klint legal mas não acho que vale o cadarço do Dali... Enchi, né? É que já estou me defendo das críticas. Mas que é chato, é - e aqui todo mundo ainda gosta porque teve de ler depois de ler José Alencar, esse povim, e o Machado é bom, escreve bem, etc. Comparado a esses tipos que a gente tinha que ler, dá de 10. Mas não vale o cadarço do Tolstói. Um curta/documentário ótimo, com o Mindlin lendo e o Schwarz comentando, lança luz na importância do texto dele enquanto revolução formal:

Parte 1/3


Parte 2/3


Parte 3/3

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