18 de mai de 2009

Casos Salinenses: O Homem Completo

"Um homem só é completo quando tem família; mulher e filhos. Desculpem: completo ou acabado?!"
Millôr

Um amigo de Salinas resolveu publicar um livro, em 1996 - com o apoio de um partido político, ficaria com o total das vendas e ainda teria a satisfação de ver sua "obra" nas mãos dos amigos, etc, o que permitiria a ele entrar na Academia Salinense de Letras(!). Eu fui "escolhido voluntário" para fazer a edição e revisão do tal livro, junto com outro amigo. Nós nos debruçamos sobre aquele calhamaço e na primeira semana já tínhamos um apelido para o autor: a Agatha Christie do Sujeito, ou O Mago do Sujeito Oculto. Nínguem achava quem era o sujeito das orações: mudavam constantemente, dentro da mesma frase, do mesmo período. Ficávamos completamente perdidos - tinha caso do menino dele com uma bola,a bola falava; boi que reclamava da sogra; gente que brigava sozinha na frente dos outros, e por aí vai. Seria uma espécie de realismo fantástico se fosse intencional. Ele saiu-se com um personagem que "sentiu um absenteísmo de paixão por ela" e eu fui dizer pra ele que absenteísmo era outra coisa, e ele disse: "deixa, deixa, ninguém aqui sabe o que é isso mesmo, nem eu"!
Bom, lançou o livro, noite de autógrafos, até A imprensa lá ("a" imprensa respondia pelo nome de Tibúrcio), e o Autor, que já tinha tomado umas e outras, levanta-se e começa o discurso:
"Eu cresci ouvindo que para ser um homem realizado, a gente precisa ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore. Eu tenho dois filhos lindos e inteligentes, que puxaram a mãe nessas duas qualidades, graças a Deus. Estou agora realizando o sonho de publicar um livro"...
e, para horror da liga das senhoras católicas de Salinas, acrescentou:
..."e se pé de maconha servir, eu sou um homem realizado!"
A cara de espanto das "autoridades" presentes, o horror das senhoras e senhores da platéia, o choque do padre... o discurso foi interrompido por vaias e palmas, uma balbúrdia. Eu estaria entre os que aplaudiria de pé, se não estivesse no chão dobrando de rir.

3 comentários:

Gentil disse...

Infelizmente, Max, a canabidácea não é lenhosa, ou seja, é erva mesmo, e como tal, não constitui expediente para a realização desse sujeito! Ele vai ter que plantar outra coisa! Abraço!

Mariana disse...

Salinas faz brotar causos de realismo fantástico das suas terras secas. Ou será que o calor quase insuportável no verão alimenta as vertigens dos homens daquelas geraes?

Hein? disse...

Então,
foi assim:
um dia eu encontrei a sua irmã - que eu não sabia que é sua irmã, mas é casada com o Bobagem, que é meu amigo -, aí o Léo a conhecia e que te conhecia. Aí eu te identifiquei e nos lembramos de você. Então aconteceu uma coisa chata: o Ganso morreu. O Léo foi procurar notícias dele e achou seu orkut e seu blog, aí eu te achei! Eu e Álvaro sempre nos lembramos do dia em que você jogou fora nossa cachaça e nos aplicou numa cachaça de verdade!