28 de abr de 2009

Futebol - Chico Sá

Fim de semana na terra do meu pai - acabei vendo um pouco de futebol, Cruzeiro, Corinthians, o pessoal chamava pra mostrar o resultado, os gols, etc. Continuo não gostando da correria pra enfiar a bola no meio duns paus. E continuo me espantando com a paixão despertada pelo esporte e seus ídolos. Quanta energia! Um dia, acho que só um dia, de energia assim, direcionada à política, ou organização social, ou voto mesmo, e quanta mudança não se faria... bão, deixa a nostalgia do não acontecido pra lá.
Queria mesmo era aproveitar pra contar sobre Chico Sá - Santos D'Ângelo, grande amigo, companheiro de Lavras, ele estudante da ESAL, agronomia, e eu no Gammon, segundo grau. Eu de Salinas e ele de Francisco Sá, daí o "Chico Sá". Santos D'Ângelo era um nome mais que adequado à personalidade, pois misturava santo e anjo: brincava que pra fazer o Chico, Deus fez um ritual quebrando quatro relógios e adicionando doses extras de calma. Primeiro ser humano a funcionar em slow motion em tempo integral. E contava casos deliciosos (claro que a turma sacaneava: "não ri que ele conta de novo!"), ótimos. Todos, segundo ele, casos reais de verdade que aconteceram mesmo.
Esse é um deles: o pai do Chico Sá, tendo sido bom jogador de futebol, mais velho deu continuidade à paixão sendo juiz. E numa dessas partidas que apitou pegou a seleção de Montes Claros jogando contra a seleção de Brejo das Almas - antigo nome de Francisco Sá: o jogo então era Arraial das Formigas contra Brejo das Almas. Toda a cidade lá, festança, o prefeito de Montes Claros, digo, Arraial das Formigas, estava lá, no camarote, foguetório, discursos...
Começou a partida. Morna. No meio do segundo tempo, eis que o centroavante do Brejo rompe as defesas do adversário, vai em direção ao gol, dá uma super bicuda na bola e... paf!, na testa do prefeito de Montes Claros. Bola a 200 km/h, bicuda digna de Rubelita, o pobre do prefeito ameaçou desmaiar e... priiiiiiii! Todo mundo olha espantado para o meio do campo, onde, impávido e indignado, o pai do Chico Sá mostra o cartão vermelho para o centroavante do time da própria cidade! Primeira vez na história do futebol, acho, que uma bicuda era considerada desacato a alguém que, ainda por cima, estava fora de campo...

Um comentário:

Gentil disse...

Max,
eu gosto de futebol,
embora não seja fanático (vejo um ou dois jogos por semana na tv e raramente vou ao estádio).
Mas não deixo de ficar de olho na política. Escrevi alguns artigos na Página do Mr. Kind sobre isso, mencionando a farra das passagens no Congresso. Aliás, o sítio Congresso em Foco faz um excelente trabalho nesse sentido, de apuração de mazelas e denúncia factual do que acontece no Congresso.
Abraço!