10 de dez de 2008

Elomar e Pasquim

Meu reino por uma coleção do Pasquim!
Estou lendo o primeiro livro do Elomar Figueira Mello, um dos meus músicos prediletos, um compositor que mistura cultura medieval ibérica, cultura popular sertaneja, música erudita e viola, fazendo uma alquimia que me encanta desde que o conheci. O livro, Sertanílias, foi empréstimo do neto dele, Rodrigo - agora com 8 anos, não chegou ainda à "quadra propícia" para tal leitura, como o avô colocou na dedicatória. Me lembrei então dos primeiros discos (disco mesmo, LP) que consegui comprar do Elomar, raríssimos, e quando, ainda nas Lavras dos idos de 88,o Beto me emprestou um Pasquim com uma entrevista com o Elomar - fiquei deliciado. O pessoal do Pasquim era fantástico, eles faziam essas descobertas de músicos, artistas, escritores, faziam umas entrevistas com a turma toda junta, Henfil, Jaguar, Tárik de Sousa, Millôr, Paulo Francis, tantos outros que passaram por aquele jornal...
Aí deu vontade de ler de novo - sou um leitor tardio do Pasquim, mas ainda cheguei a ser assinante entre 1988 e 1990, já "nos finalmente" do jornal. Ler coisas do Millôr, como a seção Falsa Cultura:
"A mulher de Sócrates, Xantipa, era tão chata que Sócrates vivia nos bares tomando cicuta", ou aforismos fantásticos como esse:
Vício X Virtude:
A virtude é sempre premiada. O vício não precisa.
E os Fradim, do Henfil? Cumprido e Baixim, merecem toda uma seção só de lembranças das risadas que já dei com eles. Abaixo algumas das tirinhas, tem que clicar na imagem para ampliá-las (pra quem veio ainda depois e não conhece, "biografia" dos Fradim aqui - são antípodas, um comprido e bonzim, ingênuo, com uma firme crença na bondade e na graça divina; o outro, sádico, sacana, com uma crença inabalável na falta de decência do ser humano e sempre desafiando as convenções e mesmo Deus):



Um comentário:

Luciano Correia disse...

Meu caro: vc sabe como posso acessar a tal entrevista de Elomar no Pasquim? Li essa entrevista na época (eu comprava toda semana na banca) e achei uma das coisas mais fantásticas já publicadas em jornal no Brasil, pq ele fala da língua, da influência da cultura ibérica na música, na fala etc. Depois minha mãe jogou fora minha coleção e fiquei órfão. Queria muito relê-la.
Tem uma outra, igualmente, antológica, que foi a com o antropólogo Nunes Pereira. Se tiver notícia dessa também, por favor, me avise.
Obrigado!
Luciano Correia
Aracaju-SE
luccorreia@uol.com.br