26 de ago de 2010

38, not out!

Para Mari, como tudo mais

Trinta e oito! Dou mais 100 anos pra Academia Sueca me reconhecer em vida e aí parto em definitivo para a  posteridade. O tempo às vezes passa voando: esse último ano passou cheio de problemas, preocupações, limitações... mas, incrivelmente, passou de uma maneira deliciosa. Voltei a estudar a fundo coisas que tinha abandonado há séculos; conheci coisas novas, idéias novas, rompi paradigmas, conceitos e modelos mentais inerciais. Acima de tudo, foi o ano em que passei inteirinho, do começo ao fim, com Mari - o primeiro de muitos, e o que talvez explique o adjetivo "delicioso".
Pensei em fazer uma longa digressão sobre os poemas Ode to a Grecian Urn, do Keats, e Sailing to Byzantium, do Yeats, mas desisti: os dois falam de maneira parecida sobre a passagem do tempo. "Essa não é terra para gente velha"... parece Pasárgada, do Bandeira nosso. Mas não: como Borges, quero conhecer todas as maneiras que os homens inventaram de ser homem. No verso de Terêncio: homo sum: humani nihil a me alienum puto. Sou homem: nada do que é humano me é estranho; nem alegrias nem tristezas, nem decepções nem surpresas, e gosto de pensar que ainda estou no início, dezenas e dezenas de anos ainda pela frente, a vela içada, o barco pronto, cada coisa em seu lugar. Metamorfoses: são os ossos do ofídio. Rocinante está mais gordo e já sorri para os moinhos de vento...
A humanidade, essa imensa e caótica coleção de pecados e alegrias, sofrimentos, desilusões e descobertas, parece cada dia mais interessante. Borges dizia que "é um desvario laborioso e empobrecedor o de compor extensos livros, e espraiar em quinhentas páginas uma idéia cuja perfeita exposição oral cabe em poucos minutos. Melhor procedimento é simular que esses livros já existem e oferecer um resumo, um comentário." Posso imaginar um Quixote lúcido, lucidíssimo, que ao avistar moinhos ainda assim os ataca - sua filosofia é encarnar os ideais da cavalaria, a nobreza e a bondade da alma humana - esse homem cuja vitória seria a vitória do homem procurado por Diógenes, o homem bom que a humanidade pode um dia ser, quem sabe. Sancho descobriria, como testamento desse homem incrível, uma única frase escondida em um pergaminho do seu capacete: "se não conseguir vencê-los, ao menos faça-os rir".
A todos, que no próximo ano a vida lhes seja leve, e bela. E obrigado por fazê-la assim para mim nesse ano que passou.

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